A Neuropsicologia é uma área da Psicologia que estuda a relação entre a dinâmica estrutural do encéfalo e o comportamento, em situação normal ou patológica. A vertente clínica aborda, de modo multifacetado, o último aspecto dessa interacção assumindo uma linha de actuação repartida (mas, sempre interligada) por dois principais aspectos: o diagnóstico (através dos exames neuropsicológicos) e a intervenção terapêutica (não medicamentosa). Esta assenta em três modos de actuação: a reestruturação das funções (cognitivas, operativas, comportamentais, emocionais e da personalidade), a reabilitação (que visa a optimização dos objectivos alcançados na primeira) e a reintegração (cujo desiderato será – sempre - inclusão do paciente no seu meio sócio-familiar e profissional, em condição tão próxima quanto possível do estado pré-mórbido). Toda esta actividade assistencial deverá estar integrada numa filosofia de actuação iminentemente multi e interdisciplinar, sob pena de não alcançarmos os objectivos desejados e da – tão apregoada e indispensável – humanização dos cuidados de saúde sofrer, séria, amputação. Por outro lado, não devemos enjeitar, em hipótese alguma, a atitude transclínica que “convidará”, sempre que necessário, os elementos afectiva e socialmente próximos dos pacientes a juntarem-se a nós num trabalho que vise tratar mais do que a doença o doente, e tudo o que o envolve. A experiência de todos os que exercem a sua profissão na área da saúde prova-o constantemente. Não chega, pois sermos bons técnicos – seguindo esta ou aquela linha de actuação teórico/clínica – há que assumir, cada vez mais, atitudes que, a par do rigor técnico, sejam pragmáticas e, como é óbvio profundamente humanizadoras.
No nosso país, raramente a multi e a interdisciplinaridade, bem como a adopção de atitudes transclínicas, são assumidas como imperativos na dinâmica assistencial, o que em algumas patologias (para não dizer em todas) origina, não raro, resultados devastadores no que toca à reinserção dos pacientes no meio sócio-familiar e profissional, após a alta clínica. São disso exemplo as miríades de traumatizados crânio-encefálicos que, por falta de assistência ao nível das sequelas cognitivo-comportamentais, não cumprem – cabalmente – as suas tarefas quotidianas, pondo em causa todo o equilíbrio pessoal e familiar. Encontramos vítimas dessa epidemia silenciosa, que são os quadros pós traumáticos, desde as populações mais jovens até aos que já exercem a sua actividade profissional. Os custos de toda esta situação reflectem-se, não só, ao nível da pessoa e da sua matriz familiar, mas também ao nível da produtividade nacional, pois não haverá – porventura – empresa ou escola onde não existam indivíduos que tenham sofrido danos cerebrais causados por traumatismo e cujo desempenho seja menos bem conseguido.
Somos, e isso sem qualquer margem para dúvidas, o país da comunidade europeia com maior índice de sinistralidade (que vai desde os acidentes de viação até aos que acontecem nos domicílios, passando pelos que – diariamente – sucedem no meio laboral). A modernização dos cuidados de saúde permite, hoje, uma maior sobrevivência após um traumatismo crânio-encefálico; mas poderemos pensar que a qualidade de vida será também, verdadeiramente, contemplada pelo progresso da técnica e pelas várias políticas de saúde implementadas – desde sempre – em Portugal? Pelo que temos constatado, ao longo da nossa prática clínica exercida, teremos que dizer sem qualquer problema de consciência, NÃO! Deste modo apresentaremos um projecto que desejamos poder para minimizar esse flagelo que é a já referida epidemia silenciosa dos quadros pós-traumáticos através da melhoria assistencial no âmbito da neuropsicologia.
Ao contrário do que muitos pensarão no que respeita à realidade nacional (dada a falta de informação e alguma desinformação que, infelizmente, existem entre nós) já muito se poderá fazer pois não faltam técnicos qualificados (e em formação contínua) para tal. Por outro lado tecnologia e as infra-estruturas não serão onerosas a ponto de inviabilizarem projectos assistenciais nesta ou noutras áreas de intervenção que actuem ao nível das disfunções cognitivo-comportamentais, consequentes a lesões ou disfunções encefálicas e a compromissos psicopatológicos. No entanto, para que os nossos pacientes e respectivas famílias, beneficiem de toda uma política assistencial, abrangente e direccionada para resolução da problemática bio-psico-social que toda a alteração da saúde acarreta é, absolutamente, fundamental mudar estratégias e mentalidades, o que nos parece ser sem margem para duvidas um imperativo nacional ao nível da politica de saúde.
Um facto que tem preocupado, de forma marcante, os profissionais de saúde implicados na recuperação neuropsicológica prende-se com o constante envio de doentes para outros países, com a justificação de que em Portugal há pura e simplesmente um vazio (técnico, material e estrutural). Estaremos, porventura e nunca por falta de pedido constantes para que as condições mudem, perante meia-verdade. Assim, se as infra-estruturas pecam por muito escassas (e não será por inexistência de imóveis, mas pelo mau aproveitamento de muitos deles) o mesmo já não se poderá dizer acerca dos meios técnicos, pois – como se depreende do que acima foi exposto a sua aquisição não constitui qualquer entrave (hoje podemos ter no nosso país o que de mais moderno existe por esse mundo fora). Quanto aos recursos humanos a carência ainda é um facto que a curto prazo será resolvido. Haja vontade e - mais do que nós, que redigimos este texto – os doentes e a sociedade em que estão inseridos (para o progresso da qual esperam voltar e contribuir) ficarão eternamente gratos. Ainda algumas palavras, em jeito de interrogação, relativamente ao envio daqueles para o estrangeiro: será que não estarão afectivamente e funcionalmente mais apoiados na sua própria terra? Será que o Estado Português é tão abastado para se dar ao luxo de despender milhões de euros com essa política que, sinceramente, nos parece totalmente desajustada e despesista, agora que a contenção é pedra de toque do equilíbrio financeiro nacional? E, finalmente, será que nos outros países os técnicos de saúde são superiores aos nacionais?
No nosso país, raramente a multi e a interdisciplinaridade, bem como a adopção de atitudes transclínicas, são assumidas como imperativos na dinâmica assistencial, o que em algumas patologias (para não dizer em todas) origina, não raro, resultados devastadores no que toca à reinserção dos pacientes no meio sócio-familiar e profissional, após a alta clínica. São disso exemplo as miríades de traumatizados crânio-encefálicos que, por falta de assistência ao nível das sequelas cognitivo-comportamentais, não cumprem – cabalmente – as suas tarefas quotidianas, pondo em causa todo o equilíbrio pessoal e familiar. Encontramos vítimas dessa epidemia silenciosa, que são os quadros pós traumáticos, desde as populações mais jovens até aos que já exercem a sua actividade profissional. Os custos de toda esta situação reflectem-se, não só, ao nível da pessoa e da sua matriz familiar, mas também ao nível da produtividade nacional, pois não haverá – porventura – empresa ou escola onde não existam indivíduos que tenham sofrido danos cerebrais causados por traumatismo e cujo desempenho seja menos bem conseguido.
Somos, e isso sem qualquer margem para dúvidas, o país da comunidade europeia com maior índice de sinistralidade (que vai desde os acidentes de viação até aos que acontecem nos domicílios, passando pelos que – diariamente – sucedem no meio laboral). A modernização dos cuidados de saúde permite, hoje, uma maior sobrevivência após um traumatismo crânio-encefálico; mas poderemos pensar que a qualidade de vida será também, verdadeiramente, contemplada pelo progresso da técnica e pelas várias políticas de saúde implementadas – desde sempre – em Portugal? Pelo que temos constatado, ao longo da nossa prática clínica exercida, teremos que dizer sem qualquer problema de consciência, NÃO! Deste modo apresentaremos um projecto que desejamos poder para minimizar esse flagelo que é a já referida epidemia silenciosa dos quadros pós-traumáticos através da melhoria assistencial no âmbito da neuropsicologia.
Ao contrário do que muitos pensarão no que respeita à realidade nacional (dada a falta de informação e alguma desinformação que, infelizmente, existem entre nós) já muito se poderá fazer pois não faltam técnicos qualificados (e em formação contínua) para tal. Por outro lado tecnologia e as infra-estruturas não serão onerosas a ponto de inviabilizarem projectos assistenciais nesta ou noutras áreas de intervenção que actuem ao nível das disfunções cognitivo-comportamentais, consequentes a lesões ou disfunções encefálicas e a compromissos psicopatológicos. No entanto, para que os nossos pacientes e respectivas famílias, beneficiem de toda uma política assistencial, abrangente e direccionada para resolução da problemática bio-psico-social que toda a alteração da saúde acarreta é, absolutamente, fundamental mudar estratégias e mentalidades, o que nos parece ser sem margem para duvidas um imperativo nacional ao nível da politica de saúde.
Um facto que tem preocupado, de forma marcante, os profissionais de saúde implicados na recuperação neuropsicológica prende-se com o constante envio de doentes para outros países, com a justificação de que em Portugal há pura e simplesmente um vazio (técnico, material e estrutural). Estaremos, porventura e nunca por falta de pedido constantes para que as condições mudem, perante meia-verdade. Assim, se as infra-estruturas pecam por muito escassas (e não será por inexistência de imóveis, mas pelo mau aproveitamento de muitos deles) o mesmo já não se poderá dizer acerca dos meios técnicos, pois – como se depreende do que acima foi exposto a sua aquisição não constitui qualquer entrave (hoje podemos ter no nosso país o que de mais moderno existe por esse mundo fora). Quanto aos recursos humanos a carência ainda é um facto que a curto prazo será resolvido. Haja vontade e - mais do que nós, que redigimos este texto – os doentes e a sociedade em que estão inseridos (para o progresso da qual esperam voltar e contribuir) ficarão eternamente gratos. Ainda algumas palavras, em jeito de interrogação, relativamente ao envio daqueles para o estrangeiro: será que não estarão afectivamente e funcionalmente mais apoiados na sua própria terra? Será que o Estado Português é tão abastado para se dar ao luxo de despender milhões de euros com essa política que, sinceramente, nos parece totalmente desajustada e despesista, agora que a contenção é pedra de toque do equilíbrio financeiro nacional? E, finalmente, será que nos outros países os técnicos de saúde são superiores aos nacionais?